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Anderson Eliziário

Pelas reações, a PPP da Cagepa já vai além do saneamento

Você já deve ter visto que o Governo da Paraíba realizou o leilão da PPP da Cagepa voltada ao setor de esgotamento sanitário, e a empresa espanhola Acciona venceu a disputa.

O contrato terá duração de 25 anos e envolve 85 municípios das regiões do Litoral e Alto Piranhas. A previsão é de cerca de R$ 3 bilhões em investimentos para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto no estado.

A Cagepa continuará estatal e seguirá responsável pelo abastecimento de água e pela relação comercial com os consumidores. Já a empresa privada ficará responsável pelos serviços de esgotamento sanitário dentro da PPP.

O governo defende que o modelo é necessário para acelerar a universalização do saneamento. Já a oposição e críticos da parceria levantam questionamentos sobre a ausência de concorrência no leilão, a fiscalização do contrato, o fato de a empresa vencedora ter sido citada em investigação de corrupção na Espanha e o receio de que a medida possa abrir caminho para uma futura privatização da Cagepa.

Talvez a análise mais fria que possamos fazer disso tudo seja a de que, ao recorrer a uma parceria público-privada, a Cagepa e o Governo da Paraíba acabam transmitindo a percepção de que a companhia, sozinha, teria dificuldades para atingir dentro do prazo as metas estabelecidas pelo Marco do Saneamento Básico — mesmo atuando praticamente sem concorrência no estado.

Ao mesmo tempo, a decisão também possui forte peso político. Desde que passou a ser tratado como possível candidato ao Governo do Estado, Lucas Ribeiro convive com discursos de que não teria autonomia suficiente para governar, sob a narrativa de que uma eventual gestão seria conduzida por Aguinaldo Ribeiro ou Daniela Ribeiro.

Nos últimos meses, porém, Lucas vem tentando imprimir uma identidade mais própria à gestão iniciada por João Azevêdo, e a PPP da Cagepa pode acabar sendo vista como uma dessas decisões de maior impacto político e administrativo.

O ponto que levanto é que a PPP para a prestação desses serviços no Alto Piranhas e no Litoral começou a ser construída oficialmente ainda em dezembro de 2025, período em que João Azevêdo seguia no comando do Governo da Paraíba.

No entanto, quem tende a carregar o maior desgaste político e a necessidade constante de explicar que a medida não representa uma privatização da Cagepa será Lucas Ribeiro.

Na prática, a discussão acabou abrindo espaço para que setores da oposição encontrem um tema capaz de unificar críticas ao governo, especialmente em torno do receio de privatização de um serviço considerado essencial para a população.

No fim, o debate sobre saneamento pode acabar se tornando também um dos principais testes políticos de Lucas Ribeiro diante da opinião pública paraibana até as eleições.

E, em um cenário pré-eleitoral, é difícil imaginar que a oposição deixará passar a oportunidade de transformar a PPP da Cagepa em um dos temas mais explorados do debate político estadual. Afinal, a repercussão dessa discussão nas rádios, nos blogs, plenárias e bastidores políticos pode acabar sendo proporcional ao tamanho da própria “tubulação” prometida pelo projeto.

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